por Gabriela Zago
Já fui a vários eventos acadêmicos nacionais, mas ainda não tinha me arriscado a colocar o pé para fora do país para apresentar trabalho. Resolvi que dessa vez não ia fugir (mais) e coloquei como missão para o primeiro ano do doutorado apresentar algum trabalho fora do Brasil. O evento escolhido foi o IR 12.0, que este ano aconteceria em Seattle, nos EUA. Em 2009 cheguei a enviar trabalho, tive o trabalho aceito, mas não fui com medo do desconhecido – medo de viajar sozinha, medo de apresentar trabalho em inglês. Este ano não tinha motivo para escapar. Ou melhor, praticamente não tinha. Foi só lá pelo final de julho que a ideia de viajar entrou em modo consciente e eu me dei conta de que ainda não tinha visto para visitar os EUA. E foi aí que a longa saga da viagem começou…
Em agosto, tentei agendar a entrevista do visto. Na data, todos os consulados norte-americanos no Brasil (Recife, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro) só tinham horário para entrevista a partir de dezembro. Por um critério de proximidade geográfica, e já que não daria para viajar anyway (o evento seria em outubro) agendei a entrevista para 15 de dezembro em São Paulo. Após agendar para alguma data, o sistema libera acesso a um pedido de visto emergencial. Quando se tem uma viagem a negócios marcada, ou uma consulta médica agendada, é possível pedir para o consulado adiantar a data da entrevista. Nesse caso, se o visto emergencial for concedido, o agendamento fica para os primeiros horários da manhã, na próxima data em que eles ainda tiverem vagas livres para atender vistos emergenciais. Como participar de uma conferência acadêmica conta como viagem de negócios (e não turismo), resolvi tentar. Anexei ao pedido uma carta do evento nos EUA e um atestado da universidade no Brasil. Meu pedido foi aprovado um dia depois. A próxima data disponível para agendamento era dia 27 de setembro às 7h. Parecia perfeito. Duas semanas antes da viagem, Consulado leva uma semana para enviar o visto, Correios entregam Sedex de um dia para outro entre capitais… O que poderia dar errado? Para começar, tudo…
Quando agendei a entrevista para essa data, não podia imaginar que os Correios entrariam em greve e o Consulado decidiria aumentar o prazo de envio de passaporte para “a partir de 7 dias úteis” após a entrevista, sendo que fui fazer a entrevista 8 dias úteis antes da viagem. Então fica a dica: tente agendar a entrevista antes, MUITO antes da viagem para o evento. Para agendar, não precisa nem ainda ter a carta de aceite do evento. Eu deveria ter tentado agendar no instante em que fiz a submissão do resumo, e não só depois de ter o aceite do artigo completo.
De qualquer modo, fui a SP, fiz a entrevista no dia 27 (com as perguntas de praxe, sobre o que iria fazer nos EUA e que vínculos possuo com o Brasil), e depois passei duas semanas muito tensas. Depois de ligar e mandar e-mail para os Correios quase todos os dias, descobri que meu passaporte foi postado nos Correios em SP no sétimo dia útil, na quinta-feira que antecedia a viagem. Tinha passagem comprada para domingo. Acompanhei o rastreamento do Sedex, com F5 a cada 5 segundos. No dia seguinte à postagem, mesmo em plena greve dos Correios, o sistema registrou a chegada do envelope em Porto Alegre. Foi suficiente para eu largar tudo o que estava fazendo e passar o dia na triagem, esperando para ver se meu pacote apareceria. Depois de alguns telefonemas irados e muita insistência, meu passaporte foi enfim encontrado. Ao final da tarde de sexta-feira, estava com o passaporte em mãos. Viajei no domingo, junto com a colega e co-autora Vivian Belochio, que, mesmo tendo agendado a entrevista depois de mim, conseguiu uma data anterior para entrevista no Consulado do Rio de Janeiro.
Para quem planeja viajar para os Estados Unidos e ainda não tem visto de negócios e turismo, fica a dica: agende a entrevista bem antes de ter planos concretos de viagem, tente agendamento emergencial, ou fique procurando por datas mais próximas ficarem disponíveis no site.
